sábado, 10 de outubro de 2009


Os dias tinham cheiro de algodão doce e nuvens frescas. E quando a inocência chegava, desejávamos apenas que os outros também pudessem cheirar esse cheiro. De férias de verão que queríamos que nunca acabassem. Mas que quando se passava uma semana dava uma saudade tão apertada da escola e dos amigos que dividiam os lanches e as risadas na hora do recreio, que fazíamos contagem regressiva para a volta às aulas. No final de semana era sagrado ter bolinhos de chuva mesmo sem chuva. E acordar cedo no sábado só para ver todos os desenhos animados que passavam na televisão e comer aqueles pães de queijo quentinhos feito pela mãe não era esforço algum. Quando chegava o fim da tarde e o sol já estava baixo, o difícil era convercer algum dos adultos a andar de biclicleta ou soltar pipa com a gente..
Bom mesmo era quando os primos estavam reunidos em alguma festa de família e podíamos jogar bola naquela quadra de esportes que ficava ali perto. Mas era na hora de tomar banho que descobrímaos pela dor, os pés ralados, os joelhos todos esfolados e o tampão do dedão do pé que faltava. Brincar de gritar pra ver quem gritava mais alto, ou rodar e rodar pra ver quem ficava sem cair por mais tempo também era uma das preferidas por nós. As brigas também não podiam faltar, a minha casa era mais bonita que a dela e ela insitia que não, ela queria seu cabelo igual ao meu e eu não gostava que ela brincasse com aquelas outras meninas da rua de cima. Só que depois de dez minutos estávamos todos brincando de betty, pique-pega, pique esconde e bandeirinha quase que ao mesmo tempo.
Aí chega a hora do primeiro beijo, do primeiro gole de bebida alcoólica, a primeira poesia e os primeiros tudo. Os primeiros vão acabando, os sucos de groselha vão acabando, chegam os segundos tudo, os restos todos e vêm e tomam lugar quase sem pedir licença. Mas ainda sobram alguns dias com cheiro de terra molhada, dias de brincar de fazer cócegas e por um triz não fazer xixi nas calças, e o dia de gritar tão alto, mas tão alto que chega a faltar a voz e é tão bom...

Bianca Azenha e Ranaíses ou, que seja, duas crianças...

3 comentários:

Maria disse...

Nossa, que descrição bem feita, menina. Lembrei minha infância, coração apertado de saudades, ai, ai...ser criança é tão bom, né? A gente não pode mais ser de idade, mas por escolha sim ^^

Meu beijo

Jaquelyne A. Costa disse...

Bianquita,

amei,amei,amei,amei... triplique o meu "amei" por um milhão de infinitos!!!!

Poxa, eu queria ter escrito isso, sabia?!

Muito lindo mesmo!

Um grande beijo e feliz vida de criança para nós!

Poeta Mauro Rocha disse...

oLA!!Os dias de ser criança são ótimos!!

Um abraço!!