Ele conhecia muito bem da morte na teoria: como agir, o que dizer, ter um pouco de frieza e raciocínio lógico. Mas na prática foi outra coisa...
Bianca Azenha
Robert DESCHARNES, Dali, 1950
11 horas atrás

Bianca Azenha e Ranaíses ou, que seja, duas crianças...

Olhos nos olhos
Queria poder te escrever um conto ou um romance romântico, desses que se tem a mocinha e o mocinho. Mas não, o que consigo é vomitar letras cansadas num papel. Papel com gosto de domingo chuvoso e só. Como escrever sobre um amor de Romeu e Julieta se já sinto, aliás, quase não sinto mais Lispector. É uma bossa-velha querendo ser gingada por uma nova, bem casual, bem politizada. É tudo que eu não quero, porém é como agarrar nuvens com as mãos, e quando, de bem fechadas passam a respirar e sentir o vento, enxerga-se que não há mais nada lá. Escapismo, talvez. Aquela coisa de chorar ouvindo Pink Floyd com as luzes apagadas e cigarros acesos. Tudo isso é uma esquisitice sentimental meio psicodélica e teatral. Céu azul, mar azul, ondas que apagam tudo que está escrito. Talvez eu desenhe uma onda gigante para apagar tudo o que foi dito há uma semana atrás. Nosso mundo doce de palavras “eu te amo” ao lado do desespero de frases mal colocadas e sonetos de separação escritos por nossas mãos. Acabou? Não, o amor não parece ser tão frágil assim. E “nosso esgrima de línguas” continua até o momento em que distinguirmos o certo do errado.